Suspenso no fluido extracelular viscoso que envolve o linfócito T, o observador encontra-se rodeado por dezenas de virions de HIV-1 à deriva — esferas translúcidas de cerca de 120 nanómetros, com interiores fumados em azul-cinzento e superfícies salpicadas de trímeros de glicoproteína gp120 em ouro burnido, cada um uma pequena coroa de três pétalas flutuando como lanternas apagadas num oceano polar. A membrana plasmática da célula ergue-se em todas as direções como a parede de uma fossa abissal, ondulando em vagas longas e suaves, a sua superfície de ardósia-azul interrompida por complexos proteicos maciços — recetores CD4, canais transmembranares, filamentos do glicocálice projetando-se para o exterior como frondes translúcidas — que definem uma zona-fronteira de densidade molecular crescente entre o fluido puro e o interior celular. Neste ambiente sem fontes de luz verdadeiras, apenas uma luminescência difusa e azulada dissolve-se em todas as direções, revelando como os virions mais próximos da membrana já derivam para dentro da floresta de glicocálice, as suas espículas douradas orientadas para os sítios de ancoragem com uma inevitabilidade química que precede qualquer ligação. A dinâmica aqui não é governada por intenção ou visão, mas pelo movimento Browniano, pela afinidade molecular e pela geometria de proteínas que reconhecem outras proteínas num mundo onde a escala do fotão não tem qualquer relevância e apenas a massa e a química definem a paisagem.
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