Suspended no interior de uma célula fusiforme do câmbio vascular durante o despertar primaveril, o observador encontra-se dentro de uma estrutura viva que se estende à sua volta como a nave de uma catedral, com paredes tão finas e translúcidas que parecem respirar — membranas de seda molhada separando dois mundos em transformação oposta. À esquerda, os traqueídos do xilema recém-formados já se armam com camadas concêntricas de parede secundária lignificada, o âmbar a aprofundar-se progressivamente numa necrópole de tubos perfeitamente engenhados que recuam para a sombra acastanhada; à direita, os elementos crivosos do floema desfazem-se voluntariamente, os núcleos a dissolver-se em véus fantasmáticos enquanto os poros das placas crivosas se abrem como halos opalescentes de calose, tudo ali a tornar-se permeável ao fluxo. Entre estes dois impérios a solidificar — um que endurece, outro que se entrega à corrente —, as iniciais fusiformes existem como uma membrana gerativa quase transparente, banhadas numa luminescência amarelo-palha contínua, o núcleo de cada célula suspenso como uma esfera opalescente no centro desse haze de âmbar, o cromatino a nublar-se como fumo em resina. É aqui, nesta zona de compressão silenciosa entre dois destinos celulares irrevogáveis, que a planta decide o que cresce, o que conduz água e o que transporta açúcar — tudo a partir de células tão finas que a sua própria existência parece uma questão de sussurro osmótico.
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