Fileiras Arco-íris Baía Iluminada
Ctenophores

Fileiras Arco-íris Baía Iluminada

Suspensos na coluna d'água mediterrânica, encontramo-nos frente a frente com uma *Bolinopsis infundibulum* cujo corpo de mesogleia — quase indistinguível do mar que o envolve, com índice de refração tão próximo ao da água que apenas uma ténue distorção óptica trai os seus contornos — se revela sobretudo através dos oito fileiras de pentes que ardem em ondas metacrónicas antipleticas: carmim profundo desdobrando-se em âmbar, depois verde-ácido, depois violeta elétrico, cada tonalidade perseguindo a seguinte como aurora lenta sobre um espelho molhado. Estes pentes são redes de difração biológicas, formadas por placas de cílios compostos com algumas centenas de micrómetros de largura que, ao bater em sequência a trinta ciclos por segundo, desviam a luz solar em comprimentos de onda distintos consoante o ângulo de cada pancada — não bioluminescência, mas cor estrutural pura, efêmera e física. Os lobos orais do animal caem em pregas suaves, levemente rosados onde os canais gastrovasculares ramificados na mesogleia se tornam visíveis contra o brilho da superfície, como capilares vistos através de uma mão pressionada contra a luz. Lá em baixo, a luz mediterrânica fragmentada pela ondulação projeta rendas de cáusticas douradas sobre o sedimento ripado a alguns metros de distância, enquanto a coluna de água entre nós e o fundo glows em gradientes de turquesa e cobalto — um espaço de nave de catedral que torna esta criatura de vidro e arco-íris simultaneamente íntima na sua delicadeza e oceânica na sua estranheza.

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