Seção Vertical do Biofilme
Bacteria

Seção Vertical do Biofilme

O observador encontra-se imerso na face vertical de um biofilme vivo, revelado como uma sequência de estratos geológicos empilhados em cinquenta micrómetros de espessura: a camada superficial resplandece em verde-frio de fluorescência GFP, com bacilos compactos e ordenados banhados por uma névoa azul-luminosa que marca a frente de oxigenação, onde as membranas lipídicas captam a luz como cilindros de vidro molhado. Descendo para a zona intermédia, a substância polimérica extracelular instala-se como uma resina âmbar translúcida que envolve células metabólicamente stressadas e canais de água escuros — vazios irregulares cujas paredes cintilam com vesículas membranares suspensas como bolhas de sabão em suspensão — enquanto o gradiente de oxigénio se apaga progressivamente numa penumbra castanha. No fundo hipóxico, apenas o vermelho baço do iodeto de propídio delimita células mortas e deformadas, as suas membranas permeabilizadas difundindo os seus conteúdos na matriz circundante num halo alaranjado, enquanto vesículas esféricas perfeitamente formadas flutuam imóveis no meio viscoso como bioluminescência de alto mar. A laje de substrato anceia tudo na base: uma superfície mineral cinzenta e quase sem traço, com as primeiras células bacterianas fundidas a ela por adesão irreversível, lembrando que nesta escala a gravidade é irrelevante e são as forças de superfície — de Van der Waals, electrostáticas, hidrofóbicas — que governam toda a arquitetura desta civilização estratificada.

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