O observador está mergulhado num ambiente de matéria nuclear em colapso catastrófico, a apenas cinquenta femtômetros do epicentro de uma das transformações mais violentas da natureza: a fissão de um núcleo de urânio-235, cujo diâmetro total não excede quinze femtômetros — uma dimensão tão ínfima que a própria luz visível, com comprimentos de onda cem milhões de vezes maiores, não poderia jamais iluminar este mundo. À frente, duas massas colossais de matéria nuclear incandescente — densas como estrelas de nêutrons comprimidas, a 2,3 × 10¹⁷ quilogramas por metro cúbico — separam-se com violência irreversível, ligadas ainda por um istmo de matéria nuclear à beira do apagamento, um pescoço de apenas dois femtômetros de espessura que irradia uma claridade branco-dourada de duzentos megaeletronvolts de energia coulombiana libertada num único instante. Os dois fragmentos assimétricos — um mais pesado e alaranjado-rubro, outro menor e amarelo-vivo — já oscilam em modos quadrupolares vertiginosos, como gotas de mercúrio quântico que pulsam e derramam lampejos frios de luz azul-aquamarina enquanto emitem pulsos de radiação gama ao amortecer suas deformações. Espalhados pelo campo intermédio, dois ou três nêutrons viajam como esferas de luz azul-branca intensa, desprendidos na ruptura, carregando consigo a continuidade em cadeia de toda a física nuclear que governa desde o interior das estrelas até o coração dos reatores terrestres.
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