Você paira imóvel num meio que pressiona suavemente em todas as direções como glicerina morna, suspenso abaixo de uma congregação de *Euglena viridis* que sobe em coluna espiral em direção à luz difusa da superfície. Cada célula — um fuso de sessenta micrômetros envolto em película de proteínas que lhe dá brilho sedoso e metálico — carrega no seu interior fitas de cloroplasto enroladas em hélice de vidro jade, captando a claridade descendente e devolvendo-a como fagulhas de esmeralda e chartreuse que se multiplicam célula após célula até o topo da coluna. Perto do polo anterior de cada organismo arde um estigma minúsculo — uma mota terracota de menos de um quarto de micrômetro, fotorreceptor primitivo que orienta cada célula em fototaxia positiva, transformando a coluna inteira numa chaminé viva e ordenada que sobe pelo escuro oliváceo como fumaça com inteligência química. O meio em si não é transparente: está tingido de amarelo-esverdeado pelo vazamento coletivo de fluorescência de clorofila excitada pela luz filtrada lá no alto, e dentro desse halo lime partículas de detritos orgânicos e bactérias invisíveis tremem em agitação browniana como pó de prata suspenso no tempo. Abaixo de você, o verde-limão aprofunda-se em oliva e depois em azul-escuro impenetrável, onde nenhuma Euglena sobe e o líquido se torna pesado e quieto, lembrando que esta catedral de luz viva tem um chão de sombra.
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