Suspenso na coluna de água de um oceano tropical às três da manhã, o observador existe dentro de uma escuridão que tem peso e textura próprios — salina, densa, absolutamente privada de qualquer luz que não seja aquela fabricada pelos próprios animais. Os machos de *Vargula hilgendorfii* iniciam o seu ritual de exibição, e cada um deles não passa de um grão oval de marfim translúcido, a carapaça bivalve calcificada iluminada de dentro pela sua própria química, poro por poro, nervura por nervura, como uma semente de fogo frio à deriva no vazio. Das glândulas rostrais entre as valvas entreabertas, jatos pareados de fluido contendo luciferina e luciferase são expulsos em pulsos discretos, traçando no volume líquido espirais helicoidais de luz elétrica azul-esverdeada — branco-aqua saturado na origem, da cor de relâmpago aprisionado em água, arrefecendo progressivamente por teal, cerúleo profundo e índigo até se dissolverem no negro envolvente. Abaixo, a planície de cascalho de coral existe apenas como silhueta aquamarinha em sombra-brilho teal, os fragmentos de *Acropora* morta e as algas coralinas apenas sugeridos onde a luz fria dos animais é suficientemente próxima para os alcançar — e o conjunto inteiro lê-se como um mapa celeste transposto para o líquido, a geometria do acasalamento escrita em fotões frios contra um vazio absoluto e perfeito.
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