Torre Flutuante de RNA
Macromolecules

Torre Flutuante de RNA

De baixo, a visão é esmagadora: uma torre helicoidal de cor bronze-âmbar ergue-se verticalmente pela névoa azul elétrica do ambiente aquoso, os seus sulcos e cristas captando uma luz difusa que parece filtrar de muito longe acima, como se estivéssemos no sopé de uma catedral gótica de proporções impossíveis. Esta estrutura é um hairpin de RNA — uma única cadeia de ácido ribonucleico que dobra sobre si mesma, formando um duplex em hélice A com aproximadamente 2,3 nm de diâmetro e 3,5 nm de altura, mais compacta e inclinada do que a hélice B do DNA, com cada unidade de ribose-fosfato revestida por grupos 2'-OH que se projectam para o exterior como antenas de cobre aquecido, conferindo ao RNA a sua identidade química distinta. As moléculas de água manifestam-se como esferóides opalescentes em agitação incessante, os iões de sódio atravessam o campo visual como pontos prateados e brilhantes, enquanto os iões de magnésio mais pesados pairam próximos do esqueleto fosfatado em aglomerados luminosos dourado-esverdeados, todos mantidos por laços electroestáticos invisíveis que estabilizam a estrutura contra a repulsão mútua dos grupos fosfato carregados negativamente. No ápice, a tetraloop GNRA abre-se como um torreão barroco de nucleótidos não emparelhados, as suas bases de adenina empilhadas e contraventadas numa plataforma surpreendentemente rígida que capta a luz ambiente em tons dourados mais quentes. O mundo inteiro treme a ritmos de femtossegundos, mas este instante cristalizado revela a perfeição estrutural desta molécula — monumental, antiga e viva.

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