Escada Serotonina — Verde Confocal
Flatworms

Escada Serotonina — Verde Confocal

Suspenso no interior de um corpo de oito milímetros, o observador contempla uma arquitectura nervosa que arde em verde sobre um negro absoluto e aveludado: dois gânglios anteriores em forma de pera — o cérebro bilobado da planária — brilham como nebulosas de jade fundidas no seu centro gravitacional, densos de corpos celulares serotonérgicos marcados por anticorpos anti-serotonina em microscopia confocal de fluorescência. Desses gânglios partem dois cordões nervosos ventrais que se estendem em paralelo por toda a longitude do animal como cabos de vidro fundido, ligados em intervalos regulares por comissuras transversais que formam a escada luminosa que dá nome à imagem — estrutura que reflecte a organização do sistema nervoso ladder típica dos platelmintos, ancestral de toda a bilateralidade animal. Nas margens, neurónios periféricos ramificam-se em finos filamentos fractais que se dissipam como brasas, enquanto um véu azul-cerúleo de núcleos corados com DAPI envolve tudo em névoa cosmológica, como estrelas embebidas num meio interestelar que aprofunda por contraste a precisão geométrica dos circuitos serotonérgicos. O que se vê não é um diagrama, mas uma catedral habitada de luz viva — o sistema nervoso mais simples capaz de aprender, de regenerar o próprio cérebro, suspenso inteiro e incandescente na escuridão.

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