Câmara de foraminífero abriga simbiontes
Diatoms

Câmara de foraminífero abriga simbiontes

O interior da câmara calcária revela-se como uma nave abobadada de marfim translúcido, as paredes curvas de calcite — secretadas pelo foraminífero *Amphistegina* ao longo de semanas de biomineralização — irradiando uma luminescência suave e difusa filtrada do fundo de areia carbonatada lá fora, sem sombras definidas, tudo banhado numa claridade perolada que parece emanar da própria pedra. O citoplasma do hospedeiro ocupa o espaço como uma maré baixa suspensa, gel vivo e granuloso de bege-acinzentado pálido, atravessado por finos filamentos de pseudópodes que emergem pelas aberturas do teste como fios de vidro estirado, quase incolores mas capturando a luz ambiente como prata ténue. Mergulhadas nesse citoplasma, as células simbiontes de *Nitzschia* repousam em grupos calmos — cada frústula de sílica uma embarcação pennada de vinte a quarenta micrómetros, os seus bordos emitindo um leve irisamento azul-prateado por interferência óptica, enquanto o interior arde em âmbar-dourado rico, os cloroplastos carregados de fucoxantina a brilhar como resina aquecida à luz de uma vela. Gotículas lipídicas dispersas entre os lóbulos dos cloroplastos surgem como pérolas de luz quase branca, e toda a cena transmite uma quietude produtiva e protegida — os simbiontes fotossintéticos suspensos no seu estado não-móvel, abrigados da turbulência da coluna de água aberta pela arquitectura calcária viva que os envolve.

Other languages