Cúpula Cristalina Apical Macro
Ctenophores

Cúpula Cristalina Apical Macro

O olhar paira suspenso sobre o polo aboral de um *Mnemiopsis leidyi* vivo, dominado por uma cúpula hemisférica de cerca de duzentos micrómetros de diâmetro — uma estrutura de vidro biológico tão opticamente homogénea que apenas se revela pela fina crescente de luz azul-branca que a sua curvatura projeta, dobrando a iluminação oceânica transmitida através de colagénio e glicoproteínas. No interior dessa cúpula suspende-se o estatólito, um agregado compacto de grânulos de carbonato de cálcio de tom marfim suave, pousado em aparente imobilidade sobre quatro leques de cílios equilibradores — as células ciliadas balanceadoras cujo batimento a frequências de quinze a trinta e cinco hertz as dissolve em véus de luminescência perlada, demasiado rápidas para se fixarem em qualquer instante. Quatro sulcos ciliados irradiam da base da cúpula como os braços de uma rosa dos ventos, as suas superfícies cobertas de cílios mais finos que produzem um leve cintilo iridescente em verde e prata quando a luz rasante os encontra em ângulo, prolongando-se até às primeiras filas de ctenas que emergem ao longe como ribbons luminosos de azul-esverdeado. A mesoglea que serve de paisagem a esta cena — um gel viscoelástico de profundidade transparente, composto de noventa e sete por cento de água com fibras de colagénio que apenas se denunciam por um trémulo refrativo ao menor desvio do ângulo de visão — dissolve-se na distância numa névoa de azul cobalto, enquanto além da parede curva do animal o oceano aberto se apresenta como um vazio luminoso e absoluto, conferindo à cúpula cristalina diante de nós a qualidade simultânea do íntimo e do infinitamente suspenso.

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