Escuridão Célula Companheira Floema
Plants — meristems & tissues

Escuridão Célula Companheira Floema

Suspenso no corredor vascular de um caule vivo, o observador encontra-se na fronteira entre dois mundos celulares radicalmente opostos: à esquerda, o elemento do tubo crivoso abre-se como uma catedral quase vazia, de paredes âmbar translúcidas e lúmen aquoso onde uma corrente invisível de açúcares dissolvidos percorre o silêncio a cerca de um metro por hora, a camada citoplásmica parietal reduzida a um véu nacarado tão fino que mal se distingue da parede celular. À direita, comprimida contra essa parede luminosa como uma sombra com massa, a célula companheira condensa em um quarto do volume toda a urgência metabólica do floema — citoplasma denso e quase opaco, saturado de mitocôndrias ovais que irradiam o calor da respiração celular intensa, ribossomas que formam uma névoa granular e um núcleo redondo e soberano, semelhante a um forge em plena combustão visto por uma janela estreita. Entre as duas células, a parede partilhada está perfurada por plasmodesmos — canais cilíndricos de duzentos nanómetros de espessura que se lêem como uma constelação de pontos âmbar quente — através dos quais a célula companheira regula ativamente o carregamento de sacarose no tubo crivoso, compensando com o seu metabolismo fervilhante a quase total ausência de organelos no elemento condutor que ela serve e sustenta.

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