A superfície que se estende em todas as direções é a casca proteica de um vírus vegetal icosaédrico com apenas 28 nanómetros de diâmetro — um mundo inteiro comprimido numa esfera menor do que a maioria dos organelos celulares. O terreno revela-se como um mosaico de rosetas pentaméricas e hexaméricas, cada pétala uma subunidade proteica individual cujos loops imunodominantes emergem em cumes amarelo-brancos, enquanto as depressões de ligação ao recetor afundam em lagos de cobalto profundo, geometricamente esculpidos para reconhecer moléculas parceiras que poderão derivar do solvente circundante a qualquer instante. Nas costuras entre subunidades adjacentes, pontes salinas entre resíduos carregados faíscam em pares de vermelho-carmesim e azul-cobalto — aspartatos e lisinas em tensão eletrostática que mantém a simetria icosaédrica com uma precisão que rivaliza com qualquer engenharia humana. Por toda a superfície exterior, uma camada de hidratação ordenada de dois a três nanómetros envolve cada protuberância e preenche cada depressão numa rede de ligações de hidrogênio quase cristalina, fazendo a superfície oscilar com um brilho opalescente que segue cada contorno da proteína subjacente. O ambiente acima — o citoplasma aquoso — não é vazio, mas uma névoa teal-índigo densa e térmica onde as flutuações conformacionais das subunidades imprimem ao terreno um ritmo lento e geológico de energia colossal contida em simetria perfeita.
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