Dilatação Faríngea do Gastrotrico
Gastrotrichs & meiofauna

Dilatação Faríngea do Gastrotrico

Suspenso a apenas uma dezena de micrómetros da face anterior de um gastrotrico vivo, o observador confronta a dilatação máxima da faringe triradial, cujos três sectores musculares — cada um com a textura translúcida de madrepérola húmida — formam uma abertura triangular de quinze micrómetros por onde uma frústula de diatomácea *Navicula* é lentamente engolida, a sua arquitectura de sílica incandescente a brilhar como um lingote dourado sendo atraído para uma forja. Ao redor da boca, vinte cílios bucais projectam-se em auréola congelada, os seus filamentos hialinos mais finos do que a membrana de uma bolha de sabão, enquanto meniscos de água intersticial se agarram às suas pontas em gotas minúsculas que deflectem a luz transmitida em centelhas espectrais de violeta e azul glacial. A superfície dorsal do animal recua em perspectiva decrescente sob uma couraça de escamas cuticulares sobrepostas como telhas, cada uma dotada de uma quilha central cujas margens produzem interferência de filme fino — o mesmo brilho estrutural das membranas de asas de insecto, mas comprimido em geometria de poucos micrómetros. A faringe é construída por fibras estriadas tão densamente compactadas que lembram veios de madeira sob esta luz, todo o órgão em tensão latente no instante de máxima abertura — uma dinâmica de alimentação que se completa em menos de cinquenta milissegundos, inscrita numa criatura cujo corpo inteiro caberia na secção transversal de um cabelo humano.

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