Interior do Tubo de Fluxo Cromático
Atomic nucleus

Interior do Tubo de Fluxo Cromático

O observador encontra-se no interior de um único próton, envolto por três presenças colossais de carga de cor — uma coluna carmesim arterial, uma verde-azulada como cobre oxidado iluminado por dentro, uma azul-cobalto quase negra no núcleo e aureolada em azul elétrico — que se dissolvem nas bordas em névoas luminosas convergindo para uma junção central em Y de ouro-branco incandescente, tão brilhante quanto o interior de uma estrela comprimido numa fileira mais fina do que qualquer filamento natural. Os tubos de fluxo que as conectam são cordas cilíndricas de energia confinada, com uma iridescência oleosa que oscila entre âmbar e marfim, irradiando um calor seco sem chamas, mais semelhante a quartzo superaquecido do que a fogo. O meio envolvente não é vazio: é o condensado de gluões, um fluido espesso de borgonha escura e âmbar que turvilhona em turbulência lenta e maciça, como o interior de um oceano abissal sob pressão esmagadora, denso de matéria que jamais está em repouso. Por todo este volume — nas proximidades dos tubos de fluxo, perdido na névoa dos gluões, agrupado em redemoinhos do condensado — pares de faíscas virtuais acendem-se e extinguem-se sem aviso, um clarão branco-dourado e o seu complemento em violeta pálido, desaparecendo antes que a percepção os fixe, como bioluminescência de abismo num mar sem luz. A sensação de profundidade é avassaladora: os três pilares cromáticos recuam para pontos de fuga acima e abaixo sem teto nem chão visíveis, e a pressão irradia em todas as direções como se o observador estivesse no centro termodinâmico da forma de matéria mais densa do universo conhecido.

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